Investigações revelam uso de engenhos para ocultar desaparecidos políticos
O Ministério Público Federal (MPF) divulgou novas informações sobre crimes cometidos durante a ditadura militar, revelando que corpos de desaparecidos políticos foram queimados em usinas de açúcar na Paraíba. A descoberta integra um conjunto de investigações que buscam esclarecer práticas de ocultação de cadáveres utilizadas pelo regime entre as décadas de 1960 e 1980.
Segundo o MPF, engenhos localizados no estado foram utilizados como locais de incineração, aproveitando a estrutura das caldeiras industriais para eliminar vestígios dos crimes. Essa prática, considerada uma das mais graves violações de direitos humanos, tinha como objetivo impedir que familiares e organizações sociais pudessem localizar os corpos e reivindicar justiça.
A investigação se baseia em documentos oficiais, depoimentos de testemunhas e cruzamento de informações com registros da Comissão Nacional da Verdade. O procurador responsável destacou que “a utilização de usinas de açúcar para incinerar corpos demonstra a sofisticação e a crueldade dos mecanismos de repressão”.
Para especialistas, o caso reforça a necessidade de políticas de memória e reparação. A Paraíba, que já havia sido citada em relatórios anteriores como rota de deslocamento de presos políticos, agora aparece como cenário direto da ocultação de cadáveres. “É um passo importante para que o país reconheça plenamente os crimes da ditadura e avance na responsabilização histórica”, avalia um pesquisador da Universidade Federal da Paraíba.
O impacto da revelação é profundo: além de expor a dimensão da violência estatal, reacende o debate sobre a preservação da memória e a importância de garantir que tais práticas nunca mais se repitam. Organizações de direitos humanos defendem que os locais identificados sejam transformados em espaços de memória, como forma de homenagear as vítimas e educar futuras gerações. (Texto: redação Boteco da Notícia / Imagem de capa: divulgação Ascom MPF)